
Os objetivos e as propostas educacionais da Educação Física Escolar – EFE modificaram-se durante o último século e continuam sendo influenciadas e modificadas. Uma delas é a utilização de um ambiente diferenciado da quadra (praia) para a prática de aulas. Afinal, moramos em uma cidade com aproximadamente 7 km de extensão de praia.
Pergunto: Os professores de EFE utilizam a praia para ministrar aulas de EFE? Os que não utilizam, qual o motivo?
Para responder a estas e outras perguntas, venho buscando respostas sobre EFE nos colégios particulares da Baixada Santista.Constatei que existem alguns fatores que inibem esta prática. Por exemplo: responsabilidade voltada para a escola, deslocamento dos alunos e clima e as causas mais freqüentes da não utilização são: super proteção dos pais, segurança excessiva e proibição dos diretores. Porém temos muitas vantagens como: promover o condicionamento físico, troca de experiências (professor/aluno e aluno/professor), variações de terreno e uma aula repleta de conhecimentos. Para colégios que possuem ou não quadra, a praia é excelente, pois mais de 15 esportes e jogos podem ser praticados. No entanto, apenas uma minoria da população escolar é beneficiada com aulas na quadra e também ao ar livre, e com isso enriquecem ainda mais suas vivências.
A escola que conhecemos hoje é, na verdade, produto dos séculos XVII a XIX, quando começou a florescer a idéia da necessidade de educação púbica e obrigatória para todas as pessoas. (BARBOSA, 2001, p.24) Barbosa cita Carvalho (1991) que afirma que a falta de consciência crítica impede o conjunto do professorado de Educação Física de compreender as “insanidades pseudofilosóficas” da intelectualidade, que enevoam e impossibilitam uma certa intimidade com os “saberes” próprios nas mais diversas áreas do conhecimento humano. Costa (2001) cita: somos os únicos a nos preocupar com as condições meteorológicas. Só podemos ministrar aulas na praia se o tempo estiver favorável. Não podemos desviar nossos focos para outras coisas e não prestar atenção na nossa quadra natural. Cada um tem um perfil, um interesse, uma experiência de vida. E por que não aproveitá-los e transformar este perfil em realidade.
Diante desses relatos, posso constatar que há tempos atrás o mais importante para as pessoas eram o valor e a aparência e por isso, esqueciam-se do seu bem estar e das opções que podiam encontrar na própria natureza. Pois a praia tem o tipo de terreno diferenciado da quadra da escola e o próprio ambiente faz com que os alunos apreciem melhor a aula de educação física uma vez que estão diante da energia que emana do sol e da brisa que vem do mar.
Pude contar com 28 profissionais e uma média de 2 professores por colégio. Após responderem o questionário, obtive os seguintes resultados: dos 28 participantes, 42,86% professores levam seus alunos à praia e 57,14% não levam ou não tem o costume de levar. O índice de respostas foi o seguinte: 6±51% responderam às vezes (AVZ), 2±17% sempre que os pais autorizam (SPA), 1±8% sempre (S) sempre que a escola autoriza (SEA) sempre que a escola e os pais autorizam (SEPA) outros (O), 0% 1X por semana e 1X por mês.
Constatei com esta pesquisa que uma boa parte da população escolar não tem aulas na praia devido a alguns fatores que inibem esta prática: custo operacional, transporte e aporte de funcionários. Porém não ficamos somente nas “desvantagens” temos muitas vantagens como; por exemplo, uma aula muito prazerosa e repleta de novos conhecimentos. Pude observar que no período da pesquisa, conforme ia falando com alguns professores e coordenadores, a grande maioria das escolas que antes não iam para a praia, estavam tendo aula na praia pelo menos uma vez ao mês - acredito que seja um bom sinal. Vamos ver daqui a alguns anos se a visão destes professores mudaram e acredito que após esta pesquisa, muitas coisas irão mudar nas aulas de Educação Física das escolas particulares de Santos.
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